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Google Chrome – Estratégia certa para o Google?

Google vai lançar hoje a versão beta do Google Chrome. Não vou entrar em detalhes técnicos sobre o browser. Já existem uns 3.000 sites e blogs que falam do assunto. Minha dúvida é estratégica. Será que lançar o Google Chrome é uma boa idéia para a empresa. Minha resposta é simples, não vou ficar em cima do muro: NÃO.

Só existem 2 opções para o Google Chrome. É um sucesso ou um fracasso.

Se for um fracasso. Bem, aí a empresa desperdiçou recursos, foco e dinheiro numa idéia que não era seu core: pesquisa… não é bom.

Se for um sucesso, aí é bem pior. Porque? Bom, primeiro hoje o Google não é apenas uma marca que representa a ferramenta de pesquisa mais usada no mundo. A Google não é apenas a marca mais valiosa do mundo. A Google não é apenas uma das marcas mais adoradas pelos usuários. A Google é tão focada na palavra “pesquisa” que já encontrou seu lugar na cultura popular. Nos EUA, as pessoas transformaram Google em verbo (ex: “I googled her”). Google não é a melhor ferramenta de pesquisa. Google = pesquisa. Google representa pesquisa na cabeça de quase 100% da população mundial.

Agora, a Google lança um produto numa categoria existente, com concorrência acirrada, de alto envolvimento do usuário (só olhar o numero de blogs sobre o assunto). A empresa vai ter que colocar dinheiro e recursos para promover o Google Chrome. Pra ganhar do IE que detém +80% de participação de mercado, a Google vai ter que dominar o nome browser. E aí? O que acontece com o “verbo google”? Google passa a ser browser ou pesquisa? Antes que me respondam, digo que uma marca = um posicionamento. Não há espaço para dois posicionamentos. Se Google = browser fortalece, então Google = pesquisa enfraquece. Tão simples quando isso.

Do ponto de vista de marca, tudo poderia ser resolvido tirando o nome Google. Usar só Chrome. Google = pesquisa e Chrome = browser. Simplesmente não usar o nome Google em lugar nenhum.

Na verdade, isso também ajudaria com um segundo problema. Já existem vários blogs fazendo comentários negativos sobre a expansão do Google. Tipo “Google está se tornando uma Microsoft [tentando dominar o mundo]”, “fico triste em ver no que a Google está se transformando”, etc. O medo de ter outro gigante controlando nossas vidas digitais é grande. Isso pode ameaçar a imagem do Google mesmo em seu território principal, onde ele é sinônimo de categoria: a pesquisa.

3 Comments

  1. Posted 3.set.2008 at 11:54 | Permalink

    Oi Prieto,

    Concordo com você no problema da falta de foco do Google, visto que ele compra uma empresa por semana e quer estar em todos lugares mesmo que não seja rentável.

    Porém, não me parece correto dizer que o posicionamento do Google seja de “pesquisa”, pois pesquisa é um produto e não posicionamento! O que eles sempre dizem é que o posicionamento deles é de “organização de informação”… e aí um browser faz até muito sentido.

    Quanto ao verbo “to google” representa o principal produto dele, e não um posicionamento. Me parece que posicionamento não é tão palpável a esse ponto! Igual a Virgin que se posiciona como entretenimento, mas o seu produto gravadora é o que mais chama a atenção sem interferir no negócio como um todo.

  2. André Prieto
    Posted 3.set.2008 at 12:55 | Permalink

    Oi Diego. Excelentes comentários. Sobre posicionamento podiamos ficar o dia inteiro conversando, pois é um tema que está longe de ser unanimidade.

    Também fui “educado” em marketing pensando apenas em posicionamento orientado a beneficio e durante anos segui esta linha. Me peguei algumas vezes tendo que fazer ginastica mental de palavras para conseguir adaptar o que o consumidor dizia em linguagem correta. O fato é que muitas vezes isso nos leva pro lugar errado.

    Hoje, vejo que cada trabalho bem sucedido que fiz seguiu “a Lei da Palavra” (law of the word) do Al Ries. Cada marca deve se apoderar de uma palavra (vai, não necessáriamente UMA palavra mas conceito unico, curto, simples). Essa palavra pode ser orientada a beneficios (como voce sugeriu), orientada a serviço, orientada a público alvo ou orientada a vendas. Tem de ser diferente (cuidado aqui…mas isso para um outro dia) e relevante. O mais importante entretanto é que seja uma linguagem do consumidor e não do escritório (onde o papel aceita tudo).

    Usei a palavra “pesquisa” (orientada a serviço) porque acho que é o mais próximo do que o consumidor acredita… na verdade em inglês teria escrito “finding” mas confesso que não achei uma tradução que me agradasse. Realmente não acredito que as pessoas pensem em Google como “organização” mas você pode estar certo.

    Na minha visão, o “verbo google” representa a força da idéia, de como TODOS aceitam a marca como um significado único (por isso é entendido por todos) e é a tradução desse conceito (posicionamento)…. “I googled Joana” poderia ser representado por “fui pesquisar/achar informações sobre a Joana”

    Diego, como disse no inicio… assunto com muitas variaves e pontos de vista. Seus comentarios são super pertinentes. Continue contribuindo. Abraços

  3. Claudio
    Posted 24.set.2008 at 13:57 | Permalink

    Nem precisa falar demais, puro fracasso! Quem vai querer um navegador que não faz o básico: funcionar


One Trackback/Pingback

  1. […] fantástico (25%). Já escrevi sobre algumas decisões que considero erros estratégicos (post: Google Chrome – Estratégia certa para o Google?), mas no geral não há o que questionar o sucesso da estratégia de foco constante em inovação e […]

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