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Estrategistas e a Turma do Confeti

Uma das coisas que diferencia o grande estrategista do resto é sua capacidade de se manter verdadeiros aos seus fundamentos independentemente dos ruídos que existam no mercado.

Um dos maiores ruídos que tenho visto hoje em dia (principalmente no mundo da tecnologia e internet) é o que chamo de “a turma do confeti”. A turma do confeti é aquela que, desprovida de bons fundamentos, se entusiasma com novidades, forte cobertura da mídia para lançamentos recentes, relações públicas, celebridades, etc. Eles acreditam no buzzzz dos primeiros meses e esquecem que negócios são ganhos no longo prazo.

Um bom exemplo da turma do confeti em ação: Eles falam “Na internet, todos os fundamentos de o que é um bom nome de marca não valem mais (tipo: nomes genéricos que não funcionam no mundo real são ótimos online)“. Em que eles se basearam? Uma enxurrada de sites com nomes “genéricos” apareceram e foram comercializados por fortunas: phone.com, garden.com, wine.com, sales.com, sports.com, etc. Pets.com levantou US$50mi, Mortgage.com levantou US$60mi. Gastaram uma fortuna em propaganda: Art.com gastou US$18mi por ano, Pets.com gastou US$20mi, Rx.com gastou US$13mi por ano. Novos investidores de internet também caíram no conto. O nome business.com foi vendido por US$7.5mi, wine.com custou US$3mi, e por aí vai.

No curto prazo, realmente muito dinheiro circulou atrás dos “novos padrões”. A pergunta é quanto valem estes nomes hoje? Quantos destes negócios vingaram? Resposta. Não muitos ainda estão por aí. A grande maioria dos que restaram está perdendo dinheiro e nenhum é líder da sua categoria.

Muito dinheiro gasto. Muito barulho no curto prazo. Nenhum resultado positivo. Quem é o líder vendendo livros? Books.com ou Amazon.com? Quem é o líder em leilões online? Action.com ou eBay.com?

Em 2005, Laura Ries, estrategista de marca e filha do lendário Al Ries avaliou o Ipod Nano (e futuros upgrades na área de música) como um grande sucesso da Apple. Ela estava certa.

Entretanto, semanas antes do lançamento do Ipod Video ela disse que era uma péssima idéia. Ipod é música, não vídeo. De acordo com ela, entrada em vídeo seria uma distração do core e não valeria o esforço da Apple. As pessoas simplesmente não assistiriam vídeo no Ipod.

Nossa. Foi um massacre. A turma do confeti como este aqui (os amantes da Apple, os influenciados pelo PR de lançamento, os que foram levados pelo charme do design, os sem fundamento) chamou Laura de tudo: charlatã, falsa profeta, acabada, sem credibilidade, etc.

Resultado: 1 ano após do lançamento do Ipod Video, só 2.2% dos usuários assistiam vídeo. Hoje (3 anos depois e já Ipod Touch) 35% dos usuários nunca assistiram vídeo e apenas 7% assinam serviço de download de vídeos. Em uma palavra, distração. Ipod continua música, não vídeo. Laura estava certa novamente.

Um bom estrategista não acerta sempre mas, se atendo a fundamentos fortes, com certeza acerta muito mais do que a turma do confeti.

PS: Touch tem várias qualidades, mas o vídeo sem dúvida não é um ponto forte.

PS2: Também acho que vídeo on-the-go será bom negócio no futuro… mas não era hora e o Ipod provavelmente não era o produto adequado.

 

 

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  1. […] Estrategistas e a Turma do Confeti Esta entrada foi escrita por André Prieto e postada em 22.Set.2009 at 07:52 e arquivada em Branding, Estratégia, Marketing, Namingcom as tagsagência de publicidade, comunicacao, conceito, diferenciacao, Estratégia, insight, leo burnett, logo, Marketing, Naming, nbs, no bullshit, posicionamento. Adicione este the permalink aos favoritos. Acompanhe qualquer comentário aqui com o RSS feed para este post. Enviar um comentário ou deixar um trackback: URL de Trackback. « Estratégia: vencendo concorrentes focados em preço […]

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