Muito tem se falado do lançamento do Kindle internacional pela Amazon no início deste mês. O foco das reportagens tem sido na disponibilidade de e-books e publicações em geral, via 3G no Brasil. Realmente fantástico e dou mais detalhes aí embaixo.

Mas o que me chama realmente atenção e que não tenho lido por aí, é o fato de que a Amazon fez um trabalho estratégico realmente bom em 1) estabelecer uma nova categoria, e 2) criou um novo e poderoso canal de distribuição internacional.
Veja bem, e-readers já estão por aí há algum tempo, mas nunca se estabeleceram. A leitura era ruim, a disponibilidade de títulos era baixa, o processo complicado. A maioria dos consumidores nem se lembra de qualquer marca nesta categoria. Chega a Amazon, com um aparelho de boa qualidade de leitura, fino, um excelente nome (nada de “Amazon e-reader” ou algo bizarro na onda de extensões de linha) e para muitos a categoria se cria.
Como vocês devem ter percebido, grande parte do barulho sobre o Kindle é via relações públicas e não propaganda… é assim que você sabe que está na frente de algo realmente promissor. É uma grande idéia e todos querem falar nela.
Mas com diria o comercial de TV, não é só isso. O pulo do gato da Amazon foi usar sua massa crítica e poder para costurar acordos que vão revolucionar toda a distribuição de livros, revistas e jornais em um futuro bem próximo.
Com as editoras eles conseguiram uma excelente quantidade de títulos (revistas, livros e jornais) e com a AT&T uma parceria para fazer download dos livros direto, via celular, para o Kindle em mais de 100 países. Sem confusão ou burocracia. Sem precisar de wifi. Lindo.
Antigamente, o público alvo de e-readers era de nicho. Agora, todos querem ter um.
Parabéns Amazon
Alguns fatos:
- Kindle internacional lançado em 7 de outubro de 2009, mais de 100 países, incluindo o Brasil.
- Download via a empresa de telefonia americana AT&T, que vai utilizar sua rede global de roaming 3G
- Todas as compras devem ser feitas via Amazon.com
- Custa U$279, hoje aproximadamente 490,00 reais. No entanto, a Amazon recolhe no ato da compra o valor do imposto de importação, para que o mesmo seja pago de prontidão e sua entrega agilizada — o que quer dizer que o Kindle vai chegar mais rápido, mas também que é garantido de se pagar os 60% de imposto. Na verdade, é pior: a Amazon recolhe uma alíquota equivalente a 100% e te devolve o que sobrar após a alfândega. Isso quer dizer que paga-se, no momento da compra pelo website da Amazon, quase R$1000,00
- Importante: Cada download feito pelo Kindle custa um adicional de U$1,99, hoje uns R$3,50 adicionalmente ao preço do livro. Isso inclui os casos em que você apenas quer refazer o download de um livro que já havia comprado: paga a taxa de novo.
- Teremos um catálogo de 290.000 livros eletrônicos de língua inglesa, dentre os quais 100.000 estão abaixo de 10 reais (U$6)!! O preço dos livros restantes fica na média de U$12, ou vinte reais.
- Aproximadamente 60.000 títulos não estarão disponíveis para consumidores brasileiros (visto que o catálogo total passa de 350.000 livros). Isso se deve a editoras que não podem, ou não querem oferecer suas obras fora dos Estados Unidos, prática mais comum do que gostaríamos.
- Não teremos acesso à leitura dos mais de 7.000 blogs que os americanos tem, cujas novas postagens são atualizadas automaticamente para o Kindle.